14/09/2015

Sobre não acreditar um mim mesma.

Eu nunca achei que tivesse um talento especial. Quando mais nova eu sempre tinha amigos bons nas coisas: Uns desenhavam muito bem, outros cantavam, aprendiam inglês sozinhos, eram bons em esportes, eram inteligentes e ''cults'' acima da media geral. E eu? Bom eu era a amiga. Mas nem sempre fui tão boa amiga, algumas vezes não parava para ouvi-los. Mas os admirava sempre.
Depois de muito analisá-los comecei a viver em quais dessas coisas eu era boa pra me encaixar também. Tentei desenhar, mas eu achava que era muito difícil, e que pra desenhar precisava ter o ''dom''. Tentei fazer algum esporte, mas eu sempre ficava na média, até que desisti e fui ler livros nas aulas de educação física. Não era super inteligente, mas conseguia ficar nas médias da escola.



Eu era bem frustrada com isso. Próximo ao vestibular, achei que aquilo acabaria quando eu entrasse na faculdade. Eu pensei em turismo. Pensei em maquiagem, pensei em comércio exterior até que no alto da minha indecisão com um mix de ''tempo se esgotando'' meu professor de filosofia diz '' vale mesmo a pena seguir o que a sociedade espera de você? Vale mesmo a pena estudar algo que não te faz completamente feliz para ''ter dinheiro''?''
Naquela hora eu achei ele um tolo. Eu com toda minha pouca idade (não que eu ainda não tenha) tendo pressão psicológica e uma leve cobrança da minha família - mesmo que indireta - por ainda não estar bem certa do que escolher.

Acabei escolhendo design depois de uma visita a faculdade. Descobri que eu não precisava saber desenhar, mesmo desconfiando deste fato resolvi encarar. gostei das matérias. Me encantei por história da arte, antropologia. Aprendi a melhorar muito meu traço, minha percepção e minha criatividade, mas ainda sim me sentia frustrada por não ser boa em algo em especial. 

Reprovei o primeiro ano. O ano mais frustrante da minha vida. Todos com matérias novas e eu com algumas poucas que não consegui atingir a média. Se a sensação de não ser boa em algo já era ruim, mais amarga ficou depois do dia em que abri o site da faculdade pra ver o resultado. Foi o pior dia da minha vida.

Depois desses tombos e pressões na vida em tão pouco tempo, descobri o quão meu professor estava certo. Estou terminando um outro curso de design, depois que tranquei o primeiro submersa na minha frustração. Descobri que eu não preciso necessariamente de um diploma para fazer algo bom, preciso estudar. Estudar sempre e ter cede de conhecimento seja qual for o assunto. Eu sei, é difícil pra sociedade lidar com isso - é difícil até pra minha mãe entender - mas é a mais pura verdade. Claro sem contar um curso de medicina por exemplo, que é necessário ser formado e ter licença para ser médico, mas vamos concordar que a pessoa que passa tanto tempo estudando pra cuidar e salvar vidas não faz obrigado certo? Faz porque ama. E é isso que todos nós devemos fazer.

Alguns dias eu ainda crio problemas na minha cabeça que não existem, e as vezes ainda mergulho nessa frustração, mas tendo a certeza de que em minha mente eu tenho uma ideia clara de qual é a minha certeza maior, fazer o que me faz feliz, mesmo que não seja todo tempo. Podem ser em alguns intervalos do dia, por isso mesmo que escrevo esse blog.

Ah, e sobre não acreditar em mim mesma, faz parte do processo da frustração. Não que eu ainda não deixe de ter essa ideia, mas já sei que não é um singular. Que eu já conquistei muitas coisas e se eu me aplicar bastante o sim será a consequência do meu esforço.

então é isso, eu não queria terminar esse texto com essa frase clichê e totalmente comercial, mas: O que realmente faz você feliz?

*imagem retirada de tumblr.com

Nenhum comentário

Postar um comentário